sábado, 2 de maio de 2009

Lumiére.


"Esquecimento estético."

Com o avanço das técnicas de fotografia e cinematografia os filmes auferiram de uma importância cultural e sociológica muito valiosa. A chamada Antropologia visual se destina a salvaguardar o retrato de um determinado contexto. Uma "vida superior à própria vida" nas palavras de Riciotto Canudo. A sétima arte é histórica, atemporal.

Isso tudo tendo em vista o cinema como expressão mais ampla.

Mas existe também a arte individual, aquele momento em que se cria um elo entre os criadores e os espectadores. Um momento único! Específico para cada um de nós, incomparável. Tão infinito como a nossa própria singularidade. E ninguém mais apto a "sentir" o cinema e absorvê-lo do que uma criança. O adulto tem uma capacidade de entendimento logicamente bem mais amadurecida (salvo os casos de dormência mental, aka imbecis). Só que o adulto no entanto sabe de onde saiu aquele filme, sabe quem são os atores, sabe de quem é a música, as vezes acompanha a produção e até mesmo faz uma crítica da fotografia do filme! Já a criança? Não, a criança não. A criança acredita naquilo, ela tem um dom imensurável chamado de o dom da inocência. Ela consegue captar várias sensações que nem mesmo os criadores da obra vislumbraram provocar. A imersão, o envolvimento.

Perfeito seria maturidade e inocência. Mas nada é perfeito.

"O cinema não tem fronteiras. É um fluxo constante de sonhos."

Orson Welles.

Ps. Ao meu pai. Por me dar o "Terminator" aos 7 anos de idade.