
Ética imoral.
A formação do caráter de um indivíduo decorre da interpretação acerca de sua própria realidade. Trata-se da influência proveniente dos costumes e convicções de terceiros. Moldamos nosso caráter de acordo com julgamentos que confeccionamos ou apenas assistimos.
Dentro de nós, entretanto, existe um outro ser mais instintivo.
Uma persona que se traduz em estímulos profundos, medo, impulsos. Estranho íntimo. Nossa criatura enjaulada por percepções morais que almeja sair quando nós nos descuidarmos. Lutamos e dosamos a nossa espontaneidade conforme podemos, tentando subjugar o nosso próprio espírito que despreza a moralidade. As pessoas até tentam demonstrar um auto-controle, uma sensação de segurança. Por dentro, todavia, nós somos o caos. Um poço de emoções reprimidas que se manifestam tanto pela mente (pensamentos involuntários dos mais sórdidos aos mais doces) ou pelo nosso corpo. Durante o sono, quando a patrulha da moralidade baixa a guarda, o nosso "eu-lírico" aproveita para suspirar. Refiro-me aos nossos sonhos, que por vezes refletem a rebeldia do nosso interior que diante do controle nos prega várias peças. Retratos confusos, carentes de razão. Oníricos e livres.
Insano é o ser humano sem amarras. Sonho sem fim. Surreal.
"Mais cedo ou mais tarde, tudo se transforma em seu contrário".
Carl Gustav Jung.