quinta-feira, 30 de abril de 2009

Magoo.


"Plurima cum tenuit, plura tenere cupit."

A mais recente balbúrdia envolvendo os ilustres senhores-doutores-excelências-deuses-mitos ministros do Supremo Tribunal Federal me fez refletir sobre o papel da mídia na prestação jurisdicional desse país. Seja a mída branca, a negra ou a velha marrom, tanto faz.

Fazendo um cotejo do tratamento da imprensa (espelho da sociedade) em relação ao Poder Legislativo e o Judiciário se percebe todo um esmero de praxe com os Magistrados. Enquanto os Deputados e Senadores são avacalhados frequentemente, os deuses do Olimpo do Judiciário recebem críticas bem mais tímidas, receosas. A torpeza creditada ao Legislativo parece ter um peso maior em episódios envolvendo corrupção do que com a ineficiência da instituição, a meu ver o problema principal. Considerando a incompetência funcional como o ponto primordial, não compreendo a razão de tanto respeito ou zelo ao se falar mal do Judiciário. O cidadão que precisou recorrer ao judiciário para questões "complexas" talvez tenha ao menos uma vaga noção da nojeira burocrática de que se trata este poder em certos casos. Não é preciso esforço para entender a quem o Judiciário serve ($$$). Protela-se ou agiliza-se de acordo com a conveniência.

Há um abismo entre o Judiciário e o povo. 
Mantiveram o respeito, que na verdade é medo. Deuses. Formais.

"O governo da demagogia não passa disso: o governo do medo. 
A miopia intelectual é a mais constante geradora de egoísmo."

Rui Barbosa.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Amitis.


"Não me esqueças".

O Miosótis, diz a lenda, foi agraciado pelas lágrimas de "Maryam".

Com o decorrer do tempo muitas pessoas infelizmente se rendem à frieza dos sofrimentos e abandonam a sua essência de criança. Nada mais triste do que o adulto que se esqueceu de ser criança. Penso que amor tem muito a ver com tudo isso. Alegria e companheirismo. 

Espontaneidade.. Ternura.. Graça.. Uma pessoa que perde o brilho no olhar ou o prazer pelo sorriso dificilmente conseguirá enxergar a alma de outrem uma vez que não vê mais a sua própria alma. Me inspira muito pensar em uma mulher que não perdeu o gosto pela "criancice", que ainda brinca de gato-mia e gosta de rir depois do sexo. Uma mulher pura de alma, que transmita paz em seu olhar. Brincalhona.

O Miosótis, diz a literatura russa, significa amor sincero. 
Sincero é o amor entre "crianças" que protegem a sua ingenuidade...

"Quem me dera se eu pudesse ser a sua primavera e depois morrer."

Vinícius de Moraes.

domingo, 26 de abril de 2009

Philia.


Pragma & Philia.

Na mitologia, Gaia trouxe vida ao Caos. Caos, Boreas, Gaia.

Essa tarefa de ser "Gaia" não foi das mais fáceis com toda a certeza. Sozinha, essa figura mitológica inicialmente gerou Urano, Ciclopes, Titans e outros seres colossais. Particularmente, sempre interpretei a postura matriarcal de Gaia como um sacrifício, um ato heróico.

Ser mãe, na minha opinião de leigo é, antes de tudo, um sacrifício.
Em pleno século XXI muitas meninas de vinte e poucos anos assumem o que eu chamo de "Síndrome de Gaia". Meninas que tem uma vida inteira pela frente absorvendo responsabilidades desnecessárias. 

Abre-se mão de um futuro belíssimo em função de um homem que se esqueceu de ser homem. Sacrifica-se parte de sua natureza feminina para ser, então, Gaia. A mãe não abdica sua feminilidade por ser mãe. A mocinha sim, abre mão de sua feminilidade para ser mãe de um homem feito, que deveria ser o seu affair e não o seu filho. 
Um homem não precisa de uma nova mãe. As mulheres, jovens ou experientes, não podem se condenar ao fardo de serem babás. 
O chamado "sexo frágil" é sempre ela e não ele. Jamais será ele. Nós.

"Nem toda mulher nasce para ser mãe. Nem toda mãe é mártir."

Lya Luft.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Nefesh.



Desejo, impulso, instinto.

O romantismo, em sentido lato logicamente, idealiza o ato sexual como um evento espiritual, quase divino. Uma poesia, entretanto, pode enfatizar o amor puro tendo como inspiração o corpo. Enfoca-se o desejo estritamente carnal, sem que se faça qualquer referência à acrasia, depravação ou superficialidade. O espírito do homem é livre quando ele assume seu lado animal. Sem ponderações. Sem limites.

Frequentemente se faz a distinção entre amor e sexo no sentido de que o sexo seja apenas uma satisfação do corpo, enquanto o amor é espiritual. Em verdade, tal alusão pejorativa de cunho superficial tem mais a ver com o lado racional (conhecimento, "espírito") do que com a carne, parte autêntica e carente de qualquer forma de pudor. 

O amor é também desejo carnal, religiosamente atrevido. 
Espiritual  e carnal. Sensualidade não é sinônimo de superficialidade.

"Bom servo das leis fatais, que regem pedras e gentes. 
Que tens instintos gerais e sentes só o que sentes." 

Fernando Pessoa.

Ps. Dedicado à Judith.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Maniqueu.



Yin & Yang.

Os chineses equilibram a balança universal entre luz e sombra.

O filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche asseverou que as almas misturam bálsamo e veneno. A despeito da moralidade, como distinguir uma pessoa boa do espírito de porco? Ambos são labirintos de sombras e luzes. A questão seria a dosagem? Emoção não se relaciona com racionalidade, exceto se a razão for coadjuvante.

Existem pessoas que possuem a consciência de que feriram outras e há quem não reconheça isso em si. O importante é sempre buscar a tolerância no sentido de não provocar o mal, sendo em quem tenha ou não a referida consciência. Obviamente, quando isto for possível.

"Aquilo que se faz por amor, está sempre além do bem e do mal."

Nietzsche.