
Desejo, impulso, instinto.
O romantismo, em sentido lato logicamente, idealiza o ato sexual como um evento espiritual, quase divino. Uma poesia, entretanto, pode enfatizar o amor puro tendo como inspiração o corpo. Enfoca-se o desejo estritamente carnal, sem que se faça qualquer referência à acrasia, depravação ou superficialidade. O espírito do homem é livre quando ele assume seu lado animal. Sem ponderações. Sem limites.
Frequentemente se faz a distinção entre amor e sexo no sentido de que o sexo seja apenas uma satisfação do corpo, enquanto o amor é espiritual. Em verdade, tal alusão pejorativa de cunho superficial tem mais a ver com o lado racional (conhecimento, "espírito") do que com a carne, parte autêntica e carente de qualquer forma de pudor.
O amor é também desejo carnal, religiosamente atrevido.
Espiritual e carnal. Sensualidade não é sinônimo de superficialidade.
"Bom servo das leis fatais, que regem pedras e gentes.
Que tens instintos gerais e sentes só o que sentes."
Fernando Pessoa.
Ps. Dedicado à Judith.